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Oliveira, Minas Gerais, Brazil
Economista, formado na Universidade Federal de São João Del-Rei - UFSJ

FIM DO ROTATIVO

 01/01/2026

Desde o início de dezembro, a Prefeitura Municipal de Oliveira, por meio do Decreto nº 5.175, rescindiu a concessão do estacionamento rotativo com a empresa Via Mais Parking, contrato que havia sido firmado em 2019. Desde a sua implantação, a cobrança pelo uso de vagas em vias públicas sempre gerou muitas reclamações por parte da população.

No início das operações, o excesso de locais sujeitos à cobrança foi alvo de inúmeras queixas, o que levou à redução do número de vagas. Outras reclamações frequentes diziam respeito ao baixo número de funcionários para efetuar a cobrança, gerando transtornos aos usuários, além de falhas constantes no aplicativo, que muitas vezes não funcionava, e da não aceitação de pagamento via Pix.

Ao justificar a rescisão do contrato, a Prefeitura alegou que a empresa não vinha cumprindo diversos itens previstos no acordo, mesmo após notificações formais. Até o momento, não foi publicado novo processo licitatório para a contratação de outra empresa, nem há informações se o serviço será suspenso de forma definitiva.




CHINELOS E IDEOLOGIAS


Enquanto boa parte da população é levada a discutir se é contra ou a favor do comercial dos chinelos Havaianas, que gerou polêmica ao trazer uma narrativa associando esquerda e direita, temas realmente relevantes acabam ficando em segundo plano, trazendo consequências diretas para o dia a dia da população.

Cito, por exemplo, as leis orçamentárias recém-aprovadas, que impactam diretamente a execução do orçamento público de 2026. No caso do orçamento federal, o montante previsto para emendas parlamentares ultrapassa os R$ 61 bilhões, recursos que, em sua maioria, atendem a interesses de deputados e senadores, muitas vezes sem critérios técnicos, o que gera desperdício de dinheiro público e abre margem para desvios e corrupção.

Já no orçamento aprovado pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais, chama atenção o valor das renúncias fiscais, estimado em R$ 25 bilhões. Para um Estado que possui uma dívida próxima de R$ 200 bilhões, abrir mão de cerca de 20% da arrecadação significa menos investimentos em áreas essenciais, como segurança pública, infraestrutura rodoviária e educação.

Enquanto os chinelos dominam a narrativa, nossos representantes seguem “dando suas chineladas na população”, demonstrando total falta de compromisso com o interesse público e com o futuro do país.




TAXAS E O IPTU


A forma como a Prefeitura Municipal de Oliveira divulgou e iniciou a cobrança da taxa por acréscimo de área dos imóveis foi pouco esclarecedora e tem gerado inúmeras dúvidas e reclamações. Sem explicar adequadamente os motivos da cobrança e a fórmula utilizada para o cálculo, a administração já lançou os valores com vencimento para o dia 16 de janeiro, pegando muitos contribuintes de surpresa.

Outro ponto que carece de esclarecimentos mais detalhados diz respeito ao teor das notificações, nas quais consta que os proprietários que não concordarem com os valores e não fizerem a contestação ou o pagamento poderão ser cobrados judicialmente.

Após diversas reclamações, a Prefeitura publicou esclarecimentos em publicidade institucional neste semanário, inclusive prometendo o lançamento de uma plataforma digital, na qual o proprietário poderá consultar os dados do imóvel e acompanhar as informações levantadas.

Para reduzir as polêmicas e evitar interpretações divergentes, o mais prudente seria a publicação de um novo edital oficial, incorporando de forma clara todos esses esclarecimentos. Caso contrário, permanecerá a dubiedade entre o edital formal e o anúncio institucional.

Em relação ao IPTU deste ano, além da inclusão das novas metragens, haverá também a atualização da Planta de Valores Genéricos, com reajustes que variam de 25% a 50%. De acordo com o decreto publicado no Diário Oficial em 29 de dezembro, a cidade foi dividida em nove zonas, identificadas por cores. Na área Amarela, por exemplo, o valor do metro quadrado passa de R$ 18,02 para R$ 27,03, um reajuste de 50%. Já na área Laranja, o valor sobe de R$ 303,01 para R$ 378,76, um aumento de 25%.

Os estudos foram realizados pelo Instituto de Gestão Territorial e Geotecnologias (IGETECH), contratado pela Prefeitura Municipal em meados de 2025. Até o momento, ainda não foram divulgadas as datas para o pagamento do IPTU deste ano.




CORREIOS


Os Correios vêm acumulando sucessivos prejuízos ao longo dos anos. Somente em 2025, o déficit já ultrapassa os R$ 10 bilhões. Entre os principais motivos estão a ingerência política, com a ocupação de cargos estratégicos por aliados do governo, muitas vezes sem compromisso com uma gestão eficiente, além das mudanças estruturais no setor, marcadas pelo aumento da concorrência após a abertura do mercado ao setor privado.

Atualmente, os Correios estão presentes em todos os municípios brasileiros e em diversos distritos, cobrindo praticamente 100% do território nacional, com mais de 10 mil unidades de atendimento e cerca de 80 mil colaboradores.

Há quem defenda a privatização da empresa, mas essa medida pode trazer sérios prejuízos à integração nacional. Apenas cerca de 20% das agências operam com lucro, e uma privatização tenderia a fechar unidades deficitárias, eliminando o atendimento em regiões mais distantes e aprofundando as desigualdades regionais.

Uma alternativa viável seria a reestruturação da empresa, permitindo, por exemplo, a ampliação da oferta de serviços bancários pelos Correios. Com o fechamento de diversas agências de bancos privados, os Correios poderiam assumir esse papel, garantindo atendimento presencial em todos os municípios, cumprindo sua função social e, ao mesmo tempo, aumentando e diversificando suas receitas.




EUA  X  VENEZUELA


Engana-se quem acredita no discurso do presidente norte-americano Donald Trump de que as ofensivas contra a Venezuela têm como objetivo combater o narcotráfico ou restabelecer a democracia no país sul-americano. Na prática, esses argumentos funcionam como uma cortina de fumaça para encobrir o verdadeiro interesse: o petróleo venezuelano.

A Venezuela possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, estimadas em 303 bilhões de barris, o que corresponde a cerca de 17% das reservas globais. Esse volume desperta grande interesse dos Estados Unidos.

Nas últimas semanas, o governo norte-americano tem intensificado ações de interceptação de navios venezuelanos, dificultando as exportações do país. A estratégia visa enfraquecer a economia venezuelana e, consequentemente, o governo de Nicolás Maduro. Em um cenário de mudança de governo, com um nome alinhado aos interesses dos EUA, a intenção seria direcionar a comercialização do petróleo para o mercado norte-americano, fortalecendo sua economia e enfraquecendo a China, que atualmente compra cerca de 4% do petróleo venezuelano.




SEGURANÇA PÚBLICA


Infelizmente, o Congresso Nacional demonstra pouco interesse em promover mudanças efetivas na legislação relacionada à segurança pública, hoje uma das maiores preocupações da população brasileira.

Após a maior operação policial já realizada no estado do Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho, que resultou em 121 mortes, ganhou destaque na imprensa a proposta de criação do Projeto de Lei Antifacções, apresentada pelo Governo Federal. A proposta gerou grande polêmica durante sua tramitação na Câmara dos Deputados, especialmente por conter dispositivos que, segundo críticos, poderiam dificultar a atuação da Polícia Federal no combate ao crime organizado.

Depois da apresentação de seis relatórios, o projeto foi aprovado na Câmara e encaminhado ao Senado. No entanto, o Senado encerrou as atividades legislativas de 2025 sem concluir a votação final, deixando a decisão para 2026.

Enquanto os parlamentares seguem nesse vai e vem, sem conseguir construir um consenso em torno de um projeto eficiente de segurança pública, o crime organizado continua se fortalecendo, consolidando um verdadeiro Estado paralelo, enquanto a população brasileira vive sob a sensação permanente do “salve-se quem puder”.

ELEIÇÕES 2026

01/12/2025

O próximo ano será marcado pelas eleições gerais no país, quando serão escolhidos Presidente da República, Governadores, Senadores e Deputados. No cenário federal, tudo indica que a polarização será mantida, com o presidente Lula (PT) enfrentando um nome ainda indefinido da oposição. A ausência desse nome tem gerado dificuldades de articulação dentro da direita e da extrema-direita.

Com a conclusão do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, cresce a especulação de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), possa assumir a liderança desse campo. No entanto, a escolha do vice deve gerar nova disputa interna, envolvendo nomes como Michelle Bolsonaro, o governador do Paraná, Ratinho Junior, o governador de Minas, Romeu Zema, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.




E EM MINAS


A disputa pelo Governo de Minas segue indefinida. Liderando as pesquisas recentes aparece o senador Cleitinho (Republicanos). Contudo, sua candidatura ainda não está consolidada e há dúvidas dentro do próprio partido, especialmente após o envolvimento do presidente da legenda em escândalos ligados ao INSS, o que pode comprometer o apoio à sua eventual campanha.

Do lado governista, a candidatura mais provável é a do atual vice-governador Mateus Simões, que deixou o partido Novo e se filiou ao PSD, buscando ampliar alianças com siglas do chamado centrão. Já no campo da esquerda, um nome do PT tem poucas chances devido ao desgaste da gestão Pimentel, ainda vivo na memória dos mineiros, restando como alternativa uma composição com o PDT, que recentemente filiou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil.

A incógnita recai sobre os partidos de centro, onde ao menos três nomes surgem com potencial para construir alianças mais amplas: o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeuzinho (MDB), o senador Rodrigo Pacheco e o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB).

O cenário ficará realmente mais claro após o prazo final de filiações partidárias, em abril de 2026, quando será possível identificar com precisão quem disputará o Palácio Tiradentes.




VIOLÊNCIA


O aumento da violência, tanto em nossa cidade quanto em todo o país, tem entre seus fatores agravantes a participação crescente de jovens recrutados por organizações criminosas. Esse fenômeno fortalece o chamado “Estado Paralelo”, que desafia e enfraquece a autoridade do Estado brasileiro.

É urgente repensar e reformar as políticas públicas destinadas à juventude. Embora existam instrumentos importantes,  como acesso ampliado à educação, programas de incentivo financeiro aos estudos e maior ingresso no ensino superior, tais políticas não têm sido suficientes para atrair uma parcela significativa dos jovens.

Por que muitos ainda não se veem motivados por essas oportunidades? Por que cresce a violência, inclusive dentro das escolas? Essas são questões que precisam integrar o debate nacional, caso desejemos construir uma sociedade mais segura e saudável.




CPI DO CAPS


A conclusão da CPI que investiga o CAPS foi prorrogada por mais 20 dias. Criada no primeiro semestre para apurar denúncias de irregularidades administrativas, perseguição política e práticas de assédio moral no âmbito da Administração Municipal (gestão 2021–2024), esta é a segunda prorrogação dos trabalhos.

A população aguarda respostas claras: o que de fato ocorreu e quais medidas serão adotadas? O CAPS desempenha um papel fundamental nas políticas públicas de saúde mental, oferecendo atendimento a pessoas com transtornos psíquicos. Por isso, não pode sofrer interferências que comprometam seu funcionamento ou a qualidade do atendimento.

Transparência e responsabilização são essenciais para restabelecer a confiança no serviço e garantir sua plena atuação.




ISENÇÃO DO IPVA


O Congresso aprovou o projeto do senador Cleitinho (Republicanos) que isenta do pagamento do IPVA os veículos com mais de 20 anos de fabricação. A medida beneficiará principalmente proprietários de Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina e Tocantins, os únicos estados que ainda cobravam o imposto para veículos antigos.

A proposta corrige desigualdades e cria um parâmetro nacional. No entanto, o debate sobre o IPVA precisa avançar. Há grande disparidade nas alíquotas: em Minas, o imposto chega a 4% do valor do veículo, enquanto em outros estados é de 2%. Com a expansão dos pedágios e das concessões rodoviárias, a redução do IPVA se torna ainda mais necessária como forma de compensação ao contribuinte.
Esse é um debate que precisa ganhar força.



IMPOSTO DE RENDA


Outra boa notícia foi a aprovação da nova faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil. Com a tabela defasada há anos, milhões de trabalhadores que não deveriam pagar acabaram entrando na cobrança. A mudança deve beneficiar mais de 15 milhões de brasileiros a partir de janeiro de 2026.

Ainda assim, é fundamental que o Congresso estabeleça uma regra de correção anual automática da tabela do IR. Caso contrário, a defasagem voltará a se acumular e o problema retornará em poucos anos. Definir uma data-base para a atualização da tabela é essencial para manter justiça tributária. Espera-se que nossos parlamentares avancem nesse tema.